Pégasus



Nas brumas etéreas da noite
Sigo no dorso do prateado Pegasus
Inicio a minha eterna busca, demorada
De mim mesma e do meu amor

No caminho tudo vejo e sei
Interiorizo todas as vivências
Traço meu próprio rumo incerto
Tropeço, levanto-me e continuo adiante.

Sou apenas eu e o radiante Pégasus
Galgando a noite ainda desconhecida
Em busca do amor que preciso
Embalada no farfalhar das asas adormeço

Nesse passe de magia vôo livre
e os sonhos tem asas de anjos dourados
Vôo alto, além das nuvens incandescentes do luar
Entrego-me ao oceano cósmico etéreo, envolvente

Vôo desvendando mistérios entre os sonhos
Sou paz de espírito e sinto a alma nua
E sigo com Pégasus nessa demanda intemporal
É o caminho para casa que percorro docilmente

Autoria: Aparecida Azevedo
Texto retirado do blog:
Imagem:



Prazer


Deixe-me contar o que significa pra mim:

É como um dedilhado

Nota por nota em toques sutis

E quando a mão calejada encontra meu tom

É o gemido mais sustenido que nos sustenta

E a melodia já pode ser vista, descrita,

Explicita...

Nada mais me faz feliz.



(Lotus Sidartta- Explícito da Alma)

Pégasus

Voando com o Pégasus sou a chama que acessa o inconsciente dormente
Ardendo e queimando minha imaginação
Enquanto o luto invade o coração
Deixando quentionamentos a respeito da vida e dos porquês

Voando com meu Pégasus sou a visão que não me cabe
E o amor vazio que nada sabe e que nem vela meus devaneios
Vôo atropelando meus sonhos loucos, transbordando a dor
num sentir profundo, buscando apenas o coração, o próprio destino

Voando com meu Pégasus sou apenas um caminhar tão só
Abstraindo na assência da vida a sabedoria divina
Que a tudo transforma numa suave razão para seguir adiante
Ainda que nesse desconhecido do meu universo interior

Saindo do casulo...


Borboleta saindo do casulo
Ainda não sabe o que à espera.
Fora do casulo ela é ainda mais frágil
Porém assume seu posto de borboleta
E assim deve ser.
Borboleta olha ao redor
Mundo imenso
Tantos horizontes
Perdida entre as flores procurando algo
Que a faça ser borboleta de verdade
Bate as asas mas não sabe para onde voar
Ah! Borboleta não quer mais o casulo
Borboleta não pode mais voltar para lá
Ela é colorida e pode voar para qualquer lugar
Por um instante se esquece que pode bater suas asas
E há tantos perigos no caminho...
Mas ela esperou tanto tempo
Foi ali no casulo que se transformou
É hora de compreender que há bem mais além do que ela vê
Ela deixou agora o que lhe escondia
Então, bata suas asas borboleta
Vá até onde puder
Vá para o infinito...

Jussara Augusta

Deixa o Olhar do Mundo (Olavo Bilac)

Deixa o Olhar do Mundo (Olavo Bilac)

Deixa que o olhar do mundo enfim devasse
Teu grande amor que é teu maior segredo!
Que terias perdido, se, mais cedo,
Todo o afeto que sentes se mostrasse?
Basta de enganos!
Mostra-me sem medo
Aos homens, afrontando-os face a face:
Quero que os homens todos, quando eu passe,
Invejosos, apontem-me com o dedo.
Olha: não posso mais!
Ando tão cheio
Deste amor, que minh'alma se consome
De te exaltar aos olhos do universo...
Ouço em tudo teu nome, em tudo o leio:
E, fatigado de calar teu nome,
Quase o revelo no final de um verso


METAL











Escuto alto,

O berro atômico da liberdade.

Os tímpanos são tolerantes

É o poder do metal...

Fone de ouvido o mundo particular surge

O som é a salvação do espírito mutante...

Ilimitado a embriagar!

Substâncias sonoras e nocivas

A ouvidos eruditos.

Ilimitado a injetar!

Substâncias sonoras e nocivas

A ouvidos pudicos.

Ilimitado a mastigar!

Substâncias sonoras e nocivas

A ouvidos frescos.

Ilimitado a desejar!

Substâncias sonoras e nocivas

A ouvidos imaculados...

Escuto alto!

Letras intrigantes

Vozes estridentes

Corações ferventes...

Fone de ouvido pulsa ondas gigantescas!

O compasso da alma urbana é irregular...

O som do metal é cavalar!

O novo modelo de exército nasceu, convenceu e

Devotos pelo globo espalham a doutrina da distorção.

A cada canção

Batalhas medievais.

A cada canção

Revoltas sociais.

A cada canção

O volume particular muda invariavelmente

E a vizinhança abomina completamente...

JRA(o poeta da verdade).

Atemporal

Não vim ao mundo para mostrar quem sou

Mas mostro à você quem posso ser

Posso ser seu sonho?

Venha, não demora que a porta está entreaberta

E você passa por ela

Desliza os dedos na maçaneta

Tateia a parede

Ouço sua respiração de medo

Confusa, vai embora

Outrora tinhas força para entrar


Mas, agora, namoras

E a razão te tomou

E o coração?

Esse perdeu mais uma luta

De quem é a culpa?

Nem minha, nem sua

O tempo é o vilão

Ele com a razão lhe tirou as mãos

Da porta que traz você pra minha vida

PAZ DO MEU CORAÇÃO NEGREIRO












Coração negreiro bate forte no peito

Declamo versos enlaçados em desejo

A ti Preto Cosme ilustre guerreiro

Urrando anos devorados em sofrimento.

Nem bentevis, nem cabanos!

É a balaiada a firmar a libertação

Através do passo sofrido da pacificação.

Hoje a fleuma é recompensada

Em lembrar que a ti e por ti

Meu sangue é brioso por ser

Banhado por lutas de emoção

A cada quilombo espalhado

Por diversas terras e veredas

Dos engenhos açucareiros

Ficando no esquecimento

A dor praticada do feitor algoz

Mas nunca deixando a voz

Silenciar e lembrar que a paz

De hoje é orgulho e respeito

A cantar e cantar Brasil adentro...

JRA (o poeta da verdade).



Quando bate o coração


Quando toca o coração
uma mão macia e calma,
esse toque faz vibrar
e ao amor, faz acordar
Bate forte e troveja
aquecendo a alma.


Quando bate o coração
não importa o motivo,
bate forte, bate rápido!
Mas nunca dolorido
quando bate de paixão!

JASMIM



Com pureza sermos
o mais verdadeiro

o quanto pudermos

expressemos

entre tantos

o sentimento que somos

aquele intrínseco

do Caminho do Coração

leva ao encontro

não o primeiro

senão o contínuo

onde um gesto reconhece

um toque familiar

que de um jeito novo

lembra saudade.

Mundo transitório

manifestações tão lindas

acontecem tão diferentes

no entanto se repetem

e nem tanto se repelem

unidos

complementares

mesmo que opostos

compartilham

a grande emoção

transcendental.


PHM - Premananda Das

FOLHA BRANCA


video

Folha branca está aqui perante os olhos

Porque não consigo recitar sem o acólito?

A leitura cobra a falta de fé

Decorar é o ato a sobrepujar

Esta ocasião contra a maré.

Saiu de dentro toda a poesia!

Porque não consigo recitar sem o acólito?

Lembrei alguns versos e o todo lá

Como prisão do meu engenho

No escrito delirante que saiu do peito.

Porque não consigo recitar sem o acólito?

Os versos em canção

São apelos do meu coração

É uma questão de superação

Deixar a folha no caixão.

Novamente exposto

Feito infante inseguro

Soluçando o medo

Balbuciando ao relento

Esperando o folheto

Como alento sedento.

Porque não consigo recitar sem o acólito?

As indigestas palavras criaram a folha branca!

O papel vivo marca e imita

Até vencer a difícil arte do repente

Em vez de ler versos somente

Sem paixão

Sem emoção

Sem dicção

Até conseguir recitar sem o acólito presente...


JRA (o poeta da verdade).



Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


Florbela Espanca