Prazer
Deixe-me contar o que significa pra mim:
É como um dedilhado
Nota por nota em toques sutis
E quando a mão calejada encontra meu tom
É o gemido mais sustenido que nos sustenta
E a melodia já pode ser vista, descrita,
Explicita...
Nada mais me faz feliz.
Pégasus
Saindo do casulo...

Borboleta saindo do casulo
Ainda não sabe o que à espera.
Fora do casulo ela é ainda mais frágil
Porém assume seu posto de borboleta
E assim deve ser.
Borboleta olha ao redor
Mundo imenso
Tantos horizontes
Perdida entre as flores procurando algo
Que a faça ser borboleta de verdade
Bate as asas mas não sabe para onde voar
Ah! Borboleta não quer mais o casulo
Borboleta não pode mais voltar para lá
Ela é colorida e pode voar para qualquer lugar
Por um instante se esquece que pode bater suas asas
E há tantos perigos no caminho...
Mas ela esperou tanto tempo
Foi ali no casulo que se transformou
É hora de compreender que há bem mais além do que ela vê
Ela deixou agora o que lhe escondia
Então, bata suas asas borboleta
Vá até onde puder
Vá para o infinito...
Jussara Augusta
Deixa o Olhar do Mundo (Olavo Bilac)
METAL
Escuto alto,
O berro atômico da liberdade.
Os tímpanos são tolerantes
É o poder do metal...
Fone de ouvido o mundo particular surge
O som é a salvação do espírito mutante...
Ilimitado a embriagar!
Substâncias sonoras e nocivas
A ouvidos eruditos.
Ilimitado a injetar!
Substâncias sonoras e nocivas
A ouvidos pudicos.
Ilimitado a mastigar!
Substâncias sonoras e nocivas
A ouvidos frescos.
Ilimitado a desejar!
Substâncias sonoras e nocivas
A ouvidos imaculados...
Escuto alto!
Letras intrigantes
Vozes estridentes
Corações ferventes...
Fone de ouvido pulsa ondas gigantescas!
O compasso da alma urbana é irregular...
O som do metal é cavalar!
O novo modelo de exército nasceu, convenceu e
Devotos pelo globo espalham a doutrina da distorção.
A cada canção
Batalhas medievais.
A cada canção
Revoltas sociais.
A cada canção
O volume particular muda invariavelmente
E a vizinhança abomina completamente...
JRA(o poeta da verdade).
Atemporal
Não vim ao mundo para mostrar quem sou
Mas mostro à você quem posso ser
Posso ser seu sonho?
Venha, não demora que a porta está entreaberta
E você passa por ela
Desliza os dedos na maçaneta
Tateia a parede
Ouço sua respiração de medo
Confusa, vai embora
Outrora tinhas força para entrar
Mas, agora, namoras
E a razão te tomou
E o coração?
Esse perdeu mais uma luta
De quem é a culpa?
Nem minha, nem sua
O tempo é o vilão
Ele com a razão lhe tirou as mãos
Da porta que traz você pra minha vida
PAZ DO MEU CORAÇÃO NEGREIRO
Coração negreiro bate forte no peito
Declamo versos enlaçados em desejo
A ti Preto Cosme ilustre guerreiro
Urrando anos devorados em sofrimento.
Nem bentevis, nem cabanos!
É a balaiada a firmar a libertação
Através do passo sofrido da pacificação.
Hoje a fleuma é recompensada
Em lembrar que a ti e por ti
Meu sangue é brioso por ser
Banhado por lutas de emoção
A cada quilombo espalhado
Por diversas terras e veredas
Dos engenhos açucareiros
Ficando no esquecimento
A dor praticada do feitor algoz
Mas nunca deixando a voz
Silenciar e lembrar que a paz
De hoje é orgulho e respeito
A cantar e cantar Brasil adentro...
JRA (o poeta da verdade).
JASMIM

Com pureza sermos
o quanto pudermos
expressemos
entre tantos
o sentimento que somos
aquele intrínseco
do Caminho do Coração
leva ao encontro
não o primeiro
senão o contínuo
onde um gesto reconhece
um toque familiar
que de um jeito novo
lembra saudade.
Mundo transitório
manifestações tão lindas
acontecem tão diferentes
no entanto se repetem
e nem tanto se repelem
unidos
complementares
mesmo que opostos
compartilham
a grande emoção
transcendental.
PHM - Premananda Das
FOLHA BRANCA
Folha branca está aqui perante os olhos
Porque não consigo recitar sem o acólito?
A leitura cobra a falta de fé
Decorar é o ato a sobrepujar
Esta ocasião contra a maré.
Saiu de dentro toda a poesia!
Porque não consigo recitar sem o acólito?
Lembrei alguns versos e o todo lá
Como prisão do meu engenho
No escrito delirante que saiu do peito.
Porque não consigo recitar sem o acólito?
Os versos em canção
São apelos do meu coração
É uma questão de superação
Deixar a folha no caixão.
Novamente exposto
Feito infante inseguro
Soluçando o medo
Balbuciando ao relento
Esperando o folheto
Como alento sedento.
Porque não consigo recitar sem o acólito?
As indigestas palavras criaram a folha branca!
O papel vivo marca e imita
Até vencer a difícil arte do repente
Em vez de ler versos somente
Sem paixão
Sem emoção
Sem dicção
Até conseguir recitar sem o acólito presente...
JRA (o poeta da verdade).
Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!
É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!
É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!
E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!
Florbela Espanca



