Quando bate o coração


Quando toca o coração
uma mão macia e calma,
esse toque faz vibrar
e ao amor, faz acordar
Bate forte e troveja
aquecendo a alma.


Quando bate o coração
não importa o motivo,
bate forte, bate rápido!
Mas nunca dolorido
quando bate de paixão!

JASMIM



Com pureza sermos
o mais verdadeiro

o quanto pudermos

expressemos

entre tantos

o sentimento que somos

aquele intrínseco

do Caminho do Coração

leva ao encontro

não o primeiro

senão o contínuo

onde um gesto reconhece

um toque familiar

que de um jeito novo

lembra saudade.

Mundo transitório

manifestações tão lindas

acontecem tão diferentes

no entanto se repetem

e nem tanto se repelem

unidos

complementares

mesmo que opostos

compartilham

a grande emoção

transcendental.


PHM - Premananda Das

FOLHA BRANCA




Folha branca está aqui perante os olhos

Porque não consigo recitar sem o acólito?

A leitura cobra a falta de fé

Decorar é o ato a sobrepujar

Esta ocasião contra a maré.

Saiu de dentro toda a poesia!

Porque não consigo recitar sem o acólito?

Lembrei alguns versos e o todo lá

Como prisão do meu engenho

No escrito delirante que saiu do peito.

Porque não consigo recitar sem o acólito?

Os versos em canção

São apelos do meu coração

É uma questão de superação

Deixar a folha no caixão.

Novamente exposto

Feito infante inseguro

Soluçando o medo

Balbuciando ao relento

Esperando o folheto

Como alento sedento.

Porque não consigo recitar sem o acólito?

As indigestas palavras criaram a folha branca!

O papel vivo marca e imita

Até vencer a difícil arte do repente

Em vez de ler versos somente

Sem paixão

Sem emoção

Sem dicção

Até conseguir recitar sem o acólito presente...


JRA (o poeta da verdade).



Ser Poeta

Ser poeta é ser mais alto, é ser maior
Do que os homens! Morder como quem beija!
É ser mendigo e dar como quem seja
Rei do Reino de Áquem e de Além Dor!

É ter de mil desejos o esplendor
E não saber sequer que se deseja!
É ter cá dentro um astro que flameja,
É ter garras e asas de condor!

É ter fome, é ter sede de Infinito!
Por elmo, as manhãs de oiro e de cetim...
É condensar o mundo num só grito!

E é amar-te, assim, perdidamente...
É seres alma, e sangue, e vida em mim
E dizê-lo cantando a toda a gente!


Florbela Espanca